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Entenda o que é business casual e como a flexibilização do dress code exige mais consciência sobre o que vestir e a imagem profissional que você deseja transmitir

24 de ago.
5 min de leitura


Há alguns anos, se você perguntasse como alguém deveria se vestir para trabalhar em um ambiente corporativo, provavelmente receberia uma resposta relativamente previsvisível.

Alfaiataria, camisa, blazer, sapatos mais formais, cores mais sóbrias. Para os homens, em muitos ambientes, terno e gravata ainda faziam parte quase obrigatória dessa equação.

Existiam códigos bastante claros sobre o que pertencia ou não ao ambiente profissional.

Hoje essa resposta ficou muito mais difícil.

Você pode entrar em uma mesma empresa e encontrar jeans, tênis e camiseta dividindo espaço com blazers, alfaiataria, camisas e sapatos mais formais. A gravata desapareceu de muitos ambientes em que antes era praticamente obrigatória e o tênis chegou a lugares onde seria impensável alguns anos atrás.

O trabalho híbrido também mudou nossa relação com conforto e formalidade.

E o business casual passou a fazer parte dessa nova realidade profissional.

À primeira vista, parece mais simples.

Eu acredito que aconteceu justamente o contrário.


Quanto menos regras existem dizendo o que você deve vestir, mais repertório você precisa ter para saber o que faz sentido vestir.

Afinal, o que é business casual?

O dress code business casual fica entre a formalidade do ambiente corporativo tradicional e a informalidade da roupa casual.

Mas eu não gosto muito de explicá-lo através de uma lista fechada de peças.

Porque um blazer pode ser extremamente formal ou bastante descontraído.

Um jeans pode funcionar perfeitamente em determinado ambiente profissional e ser inadequado em outro.

Um tênis minimalista pode deixar uma produção contemporânea, enquanto um modelo esportivo comunica uma mensagem completamente diferente.

Até uma camiseta pode funcionar muito bem em um contexto profissional dependendo da modelagem, material, combinação e, claro, do ambiente.

Business casual é muito mais sobre equilibrar códigos de formalidade do que simplesmente descobrir quais peças são permitidas.

E é exatamente aí que muita gente começa a se perder



A flexibilização do dress code não significa que deixou de existir um código


Esse é talvez o maior equívoco.

Quando uma empresa flexibiliza o dress code no trabalho, ela pode deixar de determinar exatamente o que você deve vestir.

Mas isso não significa que a roupa deixou de comunicar.

O ambiente continua existindo.

Seu cargo continua existindo.

As pessoas com quem você se relaciona profissionalmente continuam existindo.

Uma apresentação para um cliente importante não tem necessariamente o mesmo contexto de uma sexta-feira trabalhando internamente com sua equipe.

Uma reunião com a diretoria pode pedir uma leitura diferente de um dia de trabalho remoto.

E é por isso que a pergunta deixou de ser apenas:

“Pode usar jeans?” Para mim, a pergunta mais interessante é: “Esse jeans faz sentido para o ambiente, para a situação e para a imagem profissional que eu quero construir hoje?”

Percebe a diferença? Uma pergunta busca uma regra.

A outra exige consciência.


O mesmo guarda roupa profissional pode precisar de diferentes níveis de formalidade

Essa é uma habilidade que considero cada vez mais importante.

Em vez de dividir as roupas entre “roupa de trabalho” e “roupa de fora do trabalho”, comece a perceber o nível de formalidade que cada elemento acrescenta ou retira da produção.

Uma calça de alfaiataria com camisa, sapato mais clássico e acessórios discretos comunica uma coisa.

A mesma calça com uma boa malha e um mocassim pode comunicar outra.

Com uma camiseta bem construída e um tênis minimalista, outra.

O mesmo acontece no guarda roupa masculino. Um costume usado com camisa e sapato social tem uma leitura. Quando o paletó aparece com uma calça menos formal, uma malha ou até um tênis, a mensagem muda completamente.

As peças não precisam necessariamente mudar.

O contexto visual muda.

Quando você aprende a fazer essa leitura, o business casual deixa de parecer uma categoria cheia de regras confusas e começa a se tornar uma ferramenta.



Business casual não precisa significar blazer com calça social

Talvez essa seja uma das maiores simplificações que encontramos quando pesquisamos como se vestir no trabalho.

Existe uma tentativa de transformar o blazer na solução universal para tornar qualquer produção profissional.

E ele pode ser maravilhoso.

Mas não é obrigatório.

Materiais de boa qualidade, modelagens bem construídas, caimento, acabamento, acessórios e sapatos também são capazes de elevar a leitura de uma produção.

Uma camisa impecável pode trazer formalidade.

Uma boa malha pode trazer sofisticação sem rigidez.

Uma calça com excelente corte pode estruturar toda a imagem.

Um acessório bem escolhido pode acrescentar personalidade sem comprometer a adequação.

E um bom caimento pode comunicar muito mais cuidado do que simplesmente acrescentar uma peça tradicionalmente associada ao universo corporativo.

É a soma dessas informações que constrói a mensagem.


E onde entra o seu estilo pessoal?

Aqui, para mim, está uma das maiores vantagens da flexibilização do dress code.

Durante muito tempo, a roupa profissional quase funcionou como um uniforme.

Hoje existe muito mais espaço para personalidade.

Uma pessoa minimalista pode construir seu business casual através de linhas limpas e poucos elementos.

Quem tem um estilo mais clássico pode manter alfaiataria e elementos tradicionais, apenas reduzindo o grau de formalidade.

Um estilo contemporâneo permite explorar modelagens, proporções e combinações mais atuais.

Já perfis mais criativos podem introduzir cor, design, estampas ou acessórios de maneira estratégica.

O objetivo não deveria ser abandonar seu estilo quando você entra no ambiente profissional.

É saber traduzi-lo para aquele contexto.

Você não precisa deixar de parecer você para parecer profissional.

Na verdade, quando existe clareza, acontece justamente o contrário.


O melhor do business casual é que ele não parece uma roupa que você colocou para trabalhar. Parece o seu estilo pessoal traduzido para aquele ambiente.

Antes de montar o look, leia o seu dia

Talvez essa seja a orientação mais prática que eu possa dar.

Antes de pensar “o que eu vou vestir para trabalhar?”, pense:

O que eu vou fazer hoje?

Vou passar o dia internamente ou encontrar clientes?

Tenho uma reunião importante?

Vou apresentar um projeto?

Com quem vou me relacionar?

Qual é o nível de formalidade daquele ambiente?

E como quero me sentir e ser percebido naquele contexto?

Pode ser que dentro da mesma semana você precise de respostas completamente diferentes.

E está tudo bem.

Imagem profissional não precisa ser uma fórmula repetida todos os dias. Ela precisa ter coerência.


Mais liberdade exige mais consciência

Eu vejo a flexibilização do dress code como uma evolução muito positiva.

Podemos trabalhar com mais conforto, mais personalidade e uma relação menos engessada com a roupa profissional.

Mas liberdade sem critério pode facilmente virar dúvida.

Talvez por isso tantas pessoas tenham hoje um guarda roupa cheio de roupas “adequadas para trabalhar” e ainda sintam dificuldade para decidir o que vestir.

Não falta necessariamente uma regra.

Pode estar faltando uma estratégia.

Porque saber que você pode usar determinada peça é diferente de entender se aquela escolha faz sentido para o ambiente, para a ocasião, para a sua posição e para a mensagem que deseja transmitir.


A flexibilização do dress code não acabou com os códigos de imagem no trabalho. Ela apenas colocou mais dessa decisão nas suas mãos. A decisão e o controle sobre como você quer ser percebido, o que deseja comunicar e como a sua imagem pode representar o profissional que você é hoje.

Talvez a grande mudança não seja termos mais liberdade para escolher o que vestir. É termos mais liberdade para escolher o que queremos comunicar através daquilo que vestimos.

 
 
 

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